O primeiro dia de depoimentos da Operação Monte Carlo na Justiça Federal
em Goiânia, reservado à oitiva das testemunhas, ocorre nesta
terça-feira (24/7) em Goiânia com atrasos no cronograma inicial. Catorze
pessoas deveriam falar ao longo do dia, mas, até o momento, só duas
testemunhas de acusação foram ouvidas. Elas confirmaram a existência de
esquema criminoso liderado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o
Carlinhos Cachoeira.
A audiência, coordenada pelo juiz Alderico
Rocha, começou por volta das 9h. Carlinhos Cachoeira chegou quase uma
hora antes do início da sessão para acompanhar os depoimentos. Ele foi
transferido de Brasília, onde estava detido, para Goiânia, nessa
segunda-feira (23). Cachoeira é acusado de liderar esquema de exploração
de jogos ilegais no Centro-Oeste investigado pela Operação Monte Carlo.
A
esposa de Cachoeira, Andressa Mendonça, e o pai, Sebastião Ramos,
compareceram à audiência e defenderam o empresário das acusações. “Ele é
um Cristo, está sofrendo na mão dos outros”, disse o pai de Cachoeira,
insistindo que o processo contra seu filho é uma questão política.
Mesada
- O primeiro a depor foi o policial federal Fábio Alvarez, que
trabalhou como analista das escutas da Operação Monte Carlo. Ele afirmou
que as investigações evidenciaram a existência da organização criminosa
chefiada por Cachoeira e que o empresário pagava “mesadas” a
autoridades públicas e a civis para manter o esquema.
Alvarez
ainda disse que o policial Wilton Tapajós, assassinado na semana passada
em um cemitério de Brasília, foi abordado por policiais militares
enquanto investigava a quadrilha de Cachoeira. Segundo o depoente, esses
militares podem estar ligados ao grupo do empresário goiano.
A
segunda testemunha ouvida foi o policial federal Luiz Carlos Pimentel,
que confirmou as declarações de Alvarez e deu mais detalhes sobre as
investigações e as escutas. Ele negou que o delegado da Polícia Federal
Fernando Byron, acusado de vazar informações sigilosas para o grupo de
Cachoeira, estivesse infiltrado no grupo por ordem da PF.
Dispensa
- Devido ao atraso no cronograma, o procurador Daniel Resende, que atua
no caso, acredita que o juiz Alderico Rocha pode dispensar algumas
testemunhas – estava previso o depoimento de quatro testemunhas de
acusação e dez de defesa.
O segundo e último dia de depoimentos,
com a oitiva dos réus, deveria ocorrer amanhã (25), mas já se considera
que as testemunhas podem ser ouvidas até quinta-feira (26).
O processo da Operação Monte Carlo que corre na Justiça Federal em
Goiânia tem mais de 80 réus, mas foi desmembrado em duas partes para
agilizar a tramitação em relação àqueles que estavam detidos
preventivamente. Atualmente, só Cachoeira e Gleyb Ferreira, um de seus
assistentes, estão presos.
Os réus presos e que agora respondem
em liberdade são Idalberto Matias de Araújo, José Olímpio de Queiroga
Neto, Lenine Araújo de Souza, Raimundo Washington de Sousa Queiroga e
Wladimir Garcez. Todos foram convocados para depor amanhã. Geovani da
Silva, que tem ordem de prisão decretada, está foragido desde a
deflagração da Operação Monte Carlo, no dia 29 de fevereiro e não deverá
comparecer à audiência.
Além do processo de Goiânia, a Operação
Monte Carlo resultou em outros processos no Supremo Tribunal Federal em
relação a parlamentares com foro privilegiado, como o então senador
Demóstenes Torres. Como ele foi cassado, o processo deverá ser enviado
para a Justiça de primeira instância.
Páginas
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentário "Testemunhas de acusação do caso Cachoeira confirmam esquema criminoso"
Postar um comentário