Advogados de réus do mensalão acreditam que o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Cezar Peluso não conseguirá votar no processo
após analisar o andamento do primeiro dia de julgamento. Ele é
considerado um juiz duro, de forte formação no direito penal e que
tenderia a votar pela condenação na maioria dos casos. Peluso se
aposentará de forma compulsória do cargo de ministro do STF no dia 3 de
setembro por completar 70 anos de idade.
Pelo
cronograma definido pelo tribunal, Peluso conseguiria votar se
antecipasse o seu voto. Ele só pode fazer isso, porém, depois dos votos
do relator, Joaquim Barbosa, e do revisor, Ricardo Lewandowski. Se o
cronograma atrasar em um dia apenas, o ministro pode não conseguir
manifestar sua posição antes da aposentadoria.
No intervalo
do julgamento desta quinta, alguns defensores já avaliavam que o
cronograma inicial não será cumprido. Nesta quinta, por exemplo, o
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deveria fazer por cinco
horas a acusação, mas essa fase nem sequer começou.
"Infelizmente
ele (Peluso) não participará", disse Antonio Carlos de Almeida Castro, o
Kakay, que defende o publicitário Duda Mendonça. Ele ressaltou que o
próprio voto antecipado já seria ruim porque no STF os ministros podem
alterar o seu voto em meio ao debate em plenário.
Outro
advogado, que pediu para não ser identificado, destacou as discussões
desta quinta entre Barbosa e Lewandowski. "Em trinta minutos o relator e
o revisor já estavam discutindo. O cronograma é inviável. O Peluso está
fora", sentenciou.
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