O calor de quase 30° e a umidade de 25% não impediram que aproximadamente 40 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, fossem à Esplanada dos Ministérios assistir ao Desfile de 7 de Setembro. À bordo do Rolls Royce da presidência, a presidenta Dilma Rousseff abriu o evento. Ela foi recebida na Tribuna de Autoridades pelo governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e o ministro da Defesa, Celso Amorim. Nas arquibancadas, famílias inteiras se refrescavam com água, leques e guarda-sol.
Grande parte do público chegou logo nos primeiros instantes do evento. Mas foi a Esquadrilha da Fumaça e suas firulas que mais chamaram a atenção do público. Acompanhada da família, a técnica administrativa, Ana Maria Lima, é um exemplo. “A esquadrilha foi o mais emocionante. A nossa expectativa foi superada”, elogiou Lima, que participou pela primeira vez do desfile cívico.
Um grupo de intercâmbio com estudantes de vários países assistiram atentamente ao desfile. Para o italiano Francesco Carnazza, a esquadrilha da fumaça também foi o ponto alto. “Foi muito legal”, disse Carnazza, com um português ainda limitado.
Pais e filhos se ajeitavam como podiam para ver o evento. Nos ombros do pai, Kalebe Araújo Portela virava o rosto para o alto cada vez que os caças riscavam o céu. “Viemos para ver todo o evento, mas principalmente a esquadrilha. Valeu a pena vir”, comentou o pai, Maxuel Portela da Costa.
Outro momento aplaudido foi a pirâmide humana do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. Momento que encheu os olhos do pequeno Maurílio França Cesário, de 11 anos. Sua mãe e irmão, Ana Maria França e Davi França Cesário, respectivamente elogiaram o voo rasante dos caças da Força Aérea. “Acho que a maioria vem para ver o show da esquadrilha”, opinou a mãe.
Semana da Pátria até amanhã
A abertura oficial da programação da Semana da Pátria ocorreu no sábado (1º) com a 75ª Corrida do Fogo Simbólico da Pátria e segue até amanhã (9).
A estrutura montada para o desfile abrigou 20 mil pessoas, de acordo com a organização do evento, à cargo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), do Ministério da Defesa e do Governo do Distrito Federal (GDF).
Este ano, a judoca Sarah Menezes, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Londres 2012, conduziu o fogo simbólico no início da cerimônia. A Esquadrilha da Fumaça, que tradicionalmente encerra o desfile, surpreendeu o público com suas acrobacias aéreas. Cerca de 900 estudantes de escolas públicas e particulares do DF se juntaram aos 3 mil militares da ativa e da reserva durante o desfile.
Para facilitar o acesso da população ao evento, o GDF montou um esquema especial de transporte, com reforço na frota de ônibus nas linhas que têm como destino a Rodoviária do Plano Piloto, especialmente entre as 6h e as 13h. O metrô funcionará com tabela de feriado, ou seja, das 7h às 19h, com tarifa de R$ 2. Outra mudança aconteceu no acesso às vias próximas ao local do desfile. O Comando Militar do Planalto divulgou o esquema de trânsito.
Cinco mil contra a corrupção
Narizes de palhaços, faixas com palavras de ordens e músicas de reivindicações. Com este cenário, a 4ª Marcha Contra a Corrupção realizada ontem na Esplanada dos Ministérios reuniu quase 5 mil pessoas. Os organizadores aproveitaram o Desfile de 7 de Setembro para protestar, repetindo a dinâmica da primeira marcha que aconteceu no ano passado. De adolescentes a adultos, todos tinham a mesma ideia sobre objetivo da caminhada: moralizar a política no Brasil.
Segundo dados dos organizadores, as últimas edições da marcha já contabiliza cerca de 100 mil participantes. Entretanto, a adesão às caminhadas vem diminuindo. A primeira, por exemplo, realizada exatamente há um ano, teve 40 mil pessoas. Mas segundo a coordenadora de Comunicação do Movimento Brasil Contra a Corrupção (MBCC), Cláudia Cunha, alguns objetivos foram alcançados. Ela cita como exemplo a aprovação da Lei da Ficha Limpa e a pressão para que o julgamento do mensalão acontecesse.
Mas a falta de engajamento popular, segundo o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Leonardo Barreto, não é problema. “Por mais que não tenha muitas pessoas. O importante é ter um grupo forte e que faça sempre (manifestações)”, explica Barreto.
Além da quantidade, outra questão discutida por especialistas é sobre a isenção política desse tipo de mobilização. Para o cientista político e professor, Francisco de Paula Lima, essas manifestações acabam virando trampolim político para determinados grupos. Para a coordenadora do MBCC, não há como limitar a participação de pessoas ligados a grupos políticos. Mas Cláudia Cunha ressalta que o movimento é apartidário. “Dentro do grupo a orientação é que ninguém tenha filiação partidária”, afirma Cunha. (E.S.)
Redes sociais
O cientista político Leonardo Barreto ressalta ainda que a internet tem sido uma ferramenta para que mobilizações aconteçam sem coloração partidária. O morador da Estrutural, Wellington Martins dos Santos, é um caso. “Nós nos mobilizamos pelas redes sociais”, disse Santos. E completa: “Temos que fazer pressão no governo”, defende.
Da Redação do Alô
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