Celso Russomanno realiza caminhada pelo comércio da Vila Mariana - Fotoarena
Na reta final das eleições para prefeito de São Paulo, a religião roubou a cena no debate político. Antes restrita à peregrinação dos candidatos por cultos em busca de apoio dos líderes religiosos, a temática acirrou-se com as críticas da Igreja Católica ao coordenador de campanha de Celso Russomanno, candidato que lidera as pesquisas e é filiado ao PRB, partido diretamente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Agora, nenhum candidato consegue evitar perguntas do tema em suas aparições públicas.
Foi justamente a ligação de Russomanno com a Universal que fez com que o tema religioso ganhasse o centro das eleições. E o candidato é constantemente questionado sobre o assunto, em algumas ocasiões mostrando irritação. Por diversas ocasiões o candidato do PRB tentou desvincular sua figura e de seu partido da Igreja Universal. Além de se declarar “católico fervoroso”, Russomanno também repete exaustivamente que seu partido está composto por 80% de católicos e apenas 6% de membros da Universal - números que ele nunca detalhou.
Entretanto, metade do comando do partido, composto pela executiva nacional, é de membros da IURD ou da Record, rede de televisão que pertence à igreja. Entre eles está Marcos Pereira, presidente nacional do PRB, ex-executivo da Record e bispo licenciado. Um post publicado em seu blog no ano passado motivou o capítulo mais tenso da “guerra santa” em São Paulo.
Candidato “não católico” – Apesar de os fiéis das igrejas pentecostais representarem cerca de 1,5 milhão de pessoas (pouco mais de 12% dos paulistanos), esse eleitorado não deve ser desprezado porque pode influenciar todo o segmento evangélico. “Na verdade não é o voto de uma igreja só”, afirma o professor Ricardo Caldas, diretor do Centro de Estudos Avançados da Universidade de Brasília (UnB). Caldas explica que quem concentrar o maior apoio dessas igrejas construirá a imagem do candidato “não católico”, que tende a atrair o voto maciço dos evangélicos em geral, incluindo igrejas que não costumam declarar apoio a políticos. No total, em São Paulo há 2,5 milhões de pessoas que se declaram evangélicas, sendo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O apoio de uma grande corrente evangélica foi diretamente associado à escalada de Russomanno nas pesquisas, minando a polarização entre PT e PSDB. “Não há dúvida de que a Universal é uma grande estrutura em todos os sentidos. O fato de ela estar na disputa obriga os demais candidatos a se posicionarem”, explica Caldas.
Segundo colocado nas pesquisas, o candidato tucano José Serra iniciou uma contraofensiva e chegou a participar de até três cultos em um único dia. Atualmente, Russomanno e Serra disputam apoio do líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, apóstolo Valdemiro Santiago. Mas a campanha do tucano acredita que o religioso só deve se posicionar no segundo turno.
Russomanno saiu na frente na disputa pelo apoio de líderes religiosos. Além da Universal, uma das correntes da Assembleia de Deus, do Ministério Santo Amaro, montou um comitê informal e até estabeleceu metas de votos aos pastores em prol do candidato do PRB.
Fonte: Revista Veja
Fonte: Revista Veja
0 comentário "Religião domina debate na corrida eleitoral em São Paulo"
Postar um comentário