Segundo agência de notícias, um manifestante opositor morreu após tiros serem disparados
CARACAS - Milhares de estudantes contrários e favoráveis ao chavismo tomaram as principais cidades da Venezuela nesta quarta-feira, 12, um dia após homens armados terem ferido cinco manifestantes em um ato contra o presidente Nicolás Maduro. Segundo a agência Reuters, um manifestante morreu nesta quarta.
Jorge Silva/Reuters
Venezuelanos protestam contra o presidente Maduro
Pelo menos outras duas pessoas ficaram feridas, de acordo com a agência AFP, quando homens armados agrediram manifestantes opositores ao governo. Segundo a agência, os homens estavam em motos e atiraram contra os manifestantes.
Estudantes das principais universidades venezuelanas se reuniram na Praça Venezuela, no centro da capital Caracas, e se dirigiram para a sede da Procuradoria-Geral da República para protestar contra a prisão de estudantes e a violência de membros de coletivos chavistas contra manifestantes.
Maduro acusou os estudantes de tentar derrubá-lo e convocou universitários chavistas para marcharem para respaldá-lo. "Eles querem derrubar o governo legítimo que eu lidero. Não vão conseguir", disse o presidente. "Eles vão arruinar a Venezuela. Deviam corrigir seu comportamento, se não aplicarei a lei com absoluta dureza contra os golpistas." A marcha chavista ocorreu em La Puerta en La Pastora. Maduro acompanhou a manifestação, junto da primeira-dama Cilia Flores.
No centro de Caracas, estudantes antichavistas carregavam faixas com slogans contra o governo. "Você precisa de terapia para viver na Venezuela", dizia um cartaz de um estudante da Faculdade de Psicologia da Universidade Central.
Crise econômica. Dois meses depois de a Assembleia Nacional venezuelana ter concedido poderes especiais para o presidente Nicolás Maduro combater uma suposta "guerra econômica" da oposição contra seu governo, indicadores de inflação e escassez mostram que a situação se agravou em janeiro.
A inflação mensal, que entre novembro e dezembro tinha desacelerado de 4,9% para 2,2% com o congelamento de preços ordenado por decreto por Maduro, voltou a ganhar força em janeiro, com alta de 3,3%. Nos últimos 12 meses, os preços na Venezuela subiram 56,3%, a mais alta dos 15 anos do governo chavista. A escassez de produtos da cesta básica subiu quase seis pontos porcentuais, de 22,8% para 28%.
Desde novembro, Maduro ordenou inspeções e criou leis para limitar em até 30% o lucro de empresas privadas. Os preços de roupas e eletrodomésticos também foram reduzidos por decreto às vésperas das eleições municipais. Desde então, economistas de consultorias privadas têm alertado que o impacto das medidas sobre a inflação seria temporário, uma vez que a escassez de divisas em dólares para importações continua e a disparidade entre o mercado oficial e o câmbio negro é de quase dez vezes./ REUTERS e EFE
Fonte: Estadão
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