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A falta de vontade do poder público pode apagar para sempre a história humana nas Américas

Por Renato Souza
A falta de vontade do poder público pode apagar para sempre a história humana nas Américas. O Governo Brasileiro vem diminuindo os repasses de verba que deveria ser usada para garantir a segurança do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. A região concentra a maior quantidade de sítios arqueológicos do Continente Americano. Mas só neste ano ao menos 50 pessoas foram demitidas da equipe de segurança e pesquisa. Com isso moradores da região entram no local para caçar animais e acabam destruindo os sítios arqueológicos. Um grupo de vândalos usou as pinturas nas paredes como tiro ao alvo. “Sem dinheiro, não poderemos manter as guaritas que existem não apenas para receber visitantes, mas para vigiar possíveis focos de incêndios, presença de caçadores e ação de animais. A situação do parque hoje está praticamente insustentável”, diz a arqueóloga Niéde Guidon, de 80 anos, sendo 40 deles dedicados às escavações e à preservação da Serra da Capivara. O total de guaritas passou de 28, em 2003, para apenas 12. Niéde Guidon é uma das melhores arqueólogas do mundo e encontrou fósseis e pinturas que contrapõem a teoria de que o homem pré-histórico teria chegado na América há 12 mil anos, via Estreito de Bering, área dos Estados Unidos. Niéde encontrou fósseis de uma fogueira de 50 mil anos, que como sabemos, só pode ter sido feita pelos humanos. Outro desenho rupestre tem cerca de 29 mil anos. O parque gasta cerca de R$ 2,6 milhões para se manter anualmente. A Petrobras, uma das maiores doadoras para a manutenção do sítio arqueológico, esse ano não fez nenhuma doação. A Caixa Econômica Federal preferiu patrocinar clubes de futebol. O Ministério da Cultura ainda não se manifestou sobre os repasses. Foto: Pedro Santiago.


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