O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) começou, por volta das 14h45 desta quarta-feira (22/8), com a leitura do voto do ministro revisor Ricardo Lewandowski. Ele iniciou sua leitura falando de corrupção passiva e afirmou que vai comentar "estritamente sobre o item três, relatado por Joaquim Barbosa".
"Dentro do item três, por uma questão de racionalidade, eu iniciarei o meu voto pelos fatos relacionados no que concerne aos contratos de publicidade com o Banco do Brasil e que portanto concernem aos réus Henrique Pizzolato, Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach", afirmou.
Ele disse que pretende abordar todos os pontos levantados pelo ministro relator Joaquim Barbosa e estima que a leitura domine toda a sessão. Ao final, será decidido se o ministro Cezar Peluso poderá antecipar seu voto. Nesta quarta, professores de direito da Universidade de Tóquio, no Japão, e alunos da Unievangélica, de Anápolis estão acompanhando a sessão no plenário.
Peluso se aposenta compulsoriamente no dia 3 ao completar 70 anos e não poderá continuar na Corte Suprema. Por isso, será discutido se ele pode antecipar o voto, uma vez que está previsto que seja o quinto a votar. Peluso deve ser o único ministro que não irá adotar o sistema de fatiamento do processo, optando pela votação em bloco. Pelo cronograma, votarão nos próximos dias Rosa Maria Weber; Luiz Fux; José Antônio Dias Toffoli; Cármen Lúcia; Cezar Peluso; Gilmar Mendes; Marco Aurélio Mello; Celso de Mello e Carlos Ayres Britto, o presidente do STF.
Na segunda-feira (20/8), Barbosa concluiu seu voto quanto à parte da denúncia relativa aos fatos que envolvem a DNA Propaganda e o Banco do Brasil. Ele concluiu essa etapa manifestando-se pela condenação dos réus Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach pelos crimes de peculato e corrupção ativa, e do réu Henrique Pizzolato pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Os ministros consideraram improcedente a petição feita pelos advogados dos réus do mensalão que questionaram o chamado julgamento fatiado. A petição foi analisada pelo plenário do STF, depois da leitura de Barbosa. A principal crítica dos defensores é o modelo de votação fatiada, proposto pelo relator e acatado pela Corte Suprema no dia 16. Para eles, o formato incentiva a condenação dos réus. Os advogados, no recurso, perguntavam sobre a ordem de votação, o cronograma a ser seguido e o momento de votação do cálculo de penas.
Ao ler seu voto, o relator ressaltou que ele não expressa “a palavra final” do Supremo Tribunal Federal e que ele próprio pode mudar pontos de vista sobre um determinado tópico ao longo do julgamento, após o voto dos demais ministros. Barbosa fez críticas à imprensa.
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